quarta-feira, 11 de março de 2015

50 Sombras de Xika ou como Perdi um par de pulmões no Candal

Vamos por partes. Eu gosto muito de comer, de beber uns copos e de fumar. O meu corpo foi acompanhando a minha cena durante uns tempos, mas depois, não há forma do jovem me acompanhar.

E eu irritei-me. No final de 2013, o meu amigo André Mesquita convenceu-me a treinar com ele, entrar saudável nos 30 anos e com um PT veio um mundo novo. Três vezes por semana às 8 da manhã eu matava-me, ele ria-se e os resultados apareceram. Comecei a ficar em forma, a levar um estilo de vida mais saudável e até corri 10 km. Aliás, ainda arrisquei numa prova de 15 km. Mas depois veio o trabalho, mais e mais trabalho. É uma desculpa tão fácil que acabamos por acreditar nela. Comecei a reduzir o ritmo e a achar que mantendo a alimentação a coisa ia correr bem e na realidade até foi correndo de forma mais ou menos decente até ao Verão de 2014.

Mas não podes comer um elefante por dia como se continuasses a treinar, a fumar quando qualquer coisa te enerva e a achar que vais continuar a subir 5 andares sem deitar um pulmão ao chão.

Chegada a Setembro a coisa começou a piorar e enquanto um gajo resolve bem um assunto e vai à sua vida, joga uma futebolada com amigos e efectivamente se mexe, uma miúda tem as hormonas (ou mais uma desculpa extremamente válida, ou não) e começa a dizer que está inchada e que com o mau humor nem lhe apetece sair de casa.

Quando já não aguentava mais e só dizia mal do mundo e daquelas calças mesmo fixes que não apertavam, ele só me dizia: "Sabes que podes ir treinar não sabes? É que tu até gostas de treinar.."

Em conversa pelo Natal com a Silvia, acabei por arranjar um meio termo e dividimos um PT à noite durante dois meses. O Tó mostrou-me que eu ainda gosto de me matar nos treinos, de sair de lá a pingar e ainda sou competitiva.

O tempo com o Tó chegou ao ao fim e era tempo de me aventurar na Box do Eu+. A primeira semana falhei os dois treinos por causa de um jantar de amigos e um dia de trabalho mais tardio.

Mas não dava mais. Ontem não prometi que ia, fui.

E foi incrivelmente bom.

O segredo, pelo menos para mim, é ir treinar porque eu quero ir. Não porque prometi a alguém, não porque me lembram disso, mas porque eu quero ir, porque eu gosto de ir. E hoje, eu quero ir, mais do que nunca.

Ainda tenho 4 meses para tentar entrar nos 30 minimamente saudável. Não me parece impossível.

Só para não acharem que eu sou uma menina.. fica o treino de ontem:


  • 10 séries: 5 agachamentos, 5 down ups, 5 saltos para a caixa de 50 cm
  • 5 séries: 5 elevações, 10 levantamentos de bola de 20 kgs com passagem pelo ombro, 15 swing americano (?) kettebell 16 kgs
  • 100 abdominais head to feet (aqueles que ficas com o corpo em V)

P.S. Se encontrarem o par de pulmões é favor dizer.

terça-feira, 10 de março de 2015

O meu guia para não ser uma dona de casa desesperada (ou outro Artigo sobre Poupanças)

Se estiveram atentos nas leituras, já perceberam que aqui as três mocinhas são adeptas das poupanças, sejam elas na forma de colocar dinheiro num mealheiro (ou numa conta bancária ou num investimento, tanto faz) ou na gestão inteligente das nossas economias.

Gerir as economias de forma inteligente é aproveitar os saldos para comprar peças lindas para vestirmos, mas não só... também é sabermos fazer as melhores escolhas na hora de abastecer o frigorífico e a despensa.

Quem compra a comida lá de casa, sabe que este é o departamento para onde vai uma grande fatia do nosso orçamento mensal e, por isso, é sempre bom conhecer alguns truques para nos ajudar a poupar algum dinheiro. Eu sou muito vossa amiga e vou partilhar com vocês algumas das "regras" que eu aplico na gestão da minha cozinha.

1. Aproveitem as mercearias (ou talhos ou peixarias) que existem ao pé de vossa casa. Normalmente, aqui conseguem arranjar produtos muito frescos, a preços mais acessíveis que nas grandes superfícies. Se tiverem disponibilidade, vão fazer compras no mercado da vossa zona; aí podem até encontrar frutas e legumes produzidos de forma mais natural, sem tratamentos químicos.

2. Para quem tem mesmo de recorrer às médias e grandes superfícies (por causa do horário de trabalho ou outras razões), o meu conselho é: aproveitem as promoções! Todas as semanas, os super e os hipermercados têm produtos em promoção, frescos ou de mercearia, que por não serem sempre os mesmos, também nos permitem fazer uma alimentação variada. Mas cuidado... comparem os preços promocionais com os originais para perceberem se a promoção vale a pena ou é um grande engodo! Ah, e não se esqueçam de aproveitar, também, os cupões de descontos.

3. Independentemente do local onde façam as vossas compras, optem por produtos da época. Por serem produzidos em grandes quantidades, estes tendem a ser mais baratos. E porque são da época, são mais saborosos. Quem já tentou comer morangos em Dezembro, sabe do que eu estou a falar!

4. Quem nunca comprou um ramo de salsa que não usou até ao fim e acabou por deitar fora, que se acuse! Pois... já nos aconteceu isto a todos pelo menos uma vez, certo? Uma forma de evitar que isso aconteça é cultivar as ervas em casa. Um cantinho com sol e alguma água é tudo o que precisam para terem as vossas ervas aromáticas preferidas à disposição durante todo o ano, com um pequeno investimento! 

5. Não comeram o pão todo que compraram anteontem? Não faz mal! Torrem o pão no forno ou na torradeira e, depois de frio, ralem na picadora. E...acabaram de fazer o vosso próprio pão ralado!!! Como é vosso, ainda o podem personalizar com alho em pó, ervas aromáticas secas ou queijo ralado (parmesão ou da ilha). Tem as mesmas aplicações que o pão ralado de compra, mas é ainda mais saboroso!

6. Aproveitem os caldos de cozedura (por exemplo, o caldo de cozedura do bacalhau, camarão, legumes, carne ou peixe). Congelem em caixinhas com a indicação da quantidade ou em sacos de gelo, para depois usar à medida em sopas ou arrozes.

7. E por falar em congelar, sabiam que há todo um mundo de produtos que podem ser congelados se não forem consumidos em tempo útil? Claras de ovo (em caixinhas com indicação do número de claras) que depois podem ser utilizadas, por exemplo, em omeletes ou merengues, o sumo dos limões de onde usaram só a raspa (em couvetes do gelo) e as natas que não se usaram (sim, podem congelar-se e assim têm menor probabilidade de se estragarem do que se ficarem no frigorífico) são alguns exemplos.

8. Reaproveitem sobras. O que sobrou do frango assado do almoço, pode ser uma frittata ao jantar; os legumes que ninguém quis cozidos, terão um novo interesse salteados em azeite, alho e ervas aromáticas e até peixe grelhado pode ser reaproveitado para uma salada.

9. Utilizem a fruta madura (e que normalmente já ninguém gosta) para fazer compotas. São óptimas para barrar nas torradas do pequeno almoço, mas também fazem um bonito presente DIY!

10. Regularmente, façam uma inspeção à despensa. Não deixem que os produtos cheguem ao fim da validade.

Agora lanço-vos um desafio: ajudem-me a aumentar esta lista e partilhem as vossas dicas de poupança! 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Regresso a "casa"!

Uma semana depois volto à capital. Uma semana, certinha. Voltei ao “meu” Porto, aos meus amigos (não a todos como desejei….), abracei os meus sobrinhos; revi pessoas com quem já não estava desde Junho. Fui (re)visitar o Alentejo.  Uma semana depois a capital recebeu-me de braços abertos e com muito sol.

10º ano, prova global de Português. O dia em que descobri e percebi o significado da palavra “saudade”. Tinha 15 anos (foi portanto há 15 anos) e tínhamos que escrever sobre esse sentimento tão português. O “homem da minha vida” tinha morrido há pouco tempo e ainda era tudo muito recente. No dia da entrega da prova a professora deu-me os parabéns, tinha tido das melhores notas na parte de texto livre.

Recebo e envio mensagens “Tenho saudades”.

Sinto saudades de alguém quase todos os dias, por alguma razão. Todos os dias rio sozinha por alguma coisa que me lembrei. Tenho saudades todos os dias. Há quem diga que ter saudades é mau. Não concordo. Ter saudade é perceber que as pessoas estão connosco todos os dias, é sentir que a vida anda para a frente mas que conseguimos guardar em nós as coisas que realmente são importantes.

Sou de uma geração que voltou a ouvir fado, ou porque o fado mudou, ou porque as pessoas que o cantam também mudaram, não importa. Tenho Mariza, Carminho e Camané no meu MP3 e Carlos do Carmo, esse senhor que me acompanha e me ajuda a descobrir Lisboa, a sua “Menina e Moça”.
Lisboa é saudade. Lisboa cheira a um rio diferente. Lisboa tem um sol que brilha e aquece (em dias de maior saudade). Lisboa é falar todos os dias com alguém estrangeiro e explicar como a cidade brilha. Lisboa é saudade do meu Porto, onde encontro as diferenças, onde encontro pessoas iguais a tantas outras.

Ter saudades é sentir que somos (e fomos) felizes.

Hoje, no dia em que Lisboa me volta a receber, a saudade está mais do que presente; volto a olhar para o calendário e a contar os dias para voltar a abraçar aqueles que mais falta me fazem!

A "alfacinha"